No gramado, o mundo aprende a falar
a mesma língua.
A bola desenha destinos sobre
a relva iluminada.
Cada passe carrega a esperança
de um continente.
Cada chute desafia o silêncio
antes do grito.
As bandeiras deixam
de ser fronteiras.
Transformam-se em abraços coloridos
nas arquibancadas.
Há lágrimas que nascem da derrota.
Há sorrisos que sobrevivem
muito depois da vitória.
O relógio insiste em correr.
O coração, porém, esquece os segundos.
O impossível veste chuteiras.
O improvável encontra espaço
entre dois defensores.
Uma criança sonha diante da televisão.
Um veterano revive todas
as Copas da memória.
O estádio inteiro respira como
um único peito.
E o eco dos cantos atravessa
oceanos.
Quando a rede balança,
o tempo parece parar.
Quando o apito final soa,
a história ganha outro capítulo.
Porque o futebol nunca pertence apenas aos jogadores.
Na Copa, ele pertence a todos
que ainda acreditam nos milagres da bola.