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Eduardo Nagai
O Seu Guia Literário
Textos

QUARTO DE HOTEL

O quarto não nos conhecia,

mas aceitou nossa chegada

como quem guarda segredos

sem fazer perguntas.

A porta se fechou devagar,

e com ela o mundo ficou do lado de fora,

reduzido a ruídos distantes,

insignificantes.

À meia luz,

um silêncio cheio de intenção,

e dois corpos tentando entender

se aquilo era acaso

ou destino apressado.

O tempo ali dentro mudou de ritmo,

mais lento, mais denso,

como se cada gesto precisasse

ser sentido antes de acontecer.

Teu riso quebrou a formalidade,

teu olhar construiu um caminho,

e eu fui, passo a passo,

me esquecendo de qualquer antes.

Não houve pressa —

ou talvez tenha havido,

mas daquelas que não atropelam,

que apenas aproximam.

E no meio de tudo,

entre palavras soltas e silêncios cheios,

o quarto deixou de ser lugar

e virou instante.

Um instante desses

que não se mede em horas,

mas em intensidade.

Quando a noite terminou,

o quarto permaneceu igual —

cama arrumada, luz acesa,

paredes intactas.

Mas nós não.

Saímos dali

com algo que não ficou no quarto,

nem voltou com o mundo.

Algo que ainda pulsa

em algum lugar entre a lembrança

e a vontade de repetir.

Prof Eduardo Nagai
Enviado por Prof Eduardo Nagai em 26/04/2026
Alterado em 27/04/2026
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