No silêncio deste sábado, Senhor,
eu recolho a alma
como quem segura uma chama
em meio ao vento.
O mundo parece suspenso,
a tarde pesa sobre a pedra,
e o céu, em sua quietude profunda,
ensina o coração a esperar.
Teu corpo dorme no sepulcro,
e a esperança, ferida,
caminha devagar entre lágrimas,
como quem crê sem compreender.
É o dia em que tudo cala:
as vozes, os passos,
os sonhos apressados,
a pressa de entender Teus caminhos.
Mas eu sei, Senhor,
que até o silêncio Te obedece,
e que a noite mais escura
não apaga a Tua promessa.
Ensina-me a viver
os sábados da alma,
esses dias imóveis
em que o milagre ainda não rompeu a pedra.
Ensina-me a esperar
quando o céu não responde,
quando a dor parece funda
e o coração se sente só.
Que eu não confunda
Teu silêncio com ausência,
nem a demora
com o fim da esperança.
Porque mesmo no escuro
Teu amor trabalha oculto,
como semente de luz
sob a terra fria.
Neste Sábado de Aleluia,
guarda meu espírito em paz,
faz da minha espera uma prece,
faz da minha dor um altar.
E quando a manhã chegar,
quando a vida vencer o túmulo,
faz nascer também em mim
a coragem da ressurreição.
Que eu atravesse a noite crendo,
que eu suporte a espera amando,
e que, ao primeiro clarão da Páscoa,
minha alma inteira cante Teu nome.