Todo dia eu acordo questionando o rumo da humanidade. As manchetes me bombardeiam com notícias de conflitos, corrupção e injustiças, e não consigo evitar um sentimento de desalento. Onde foi que perdemos nossa bússola moral? Essas crises espalhadas pelo mundo parecem sintomas de um problema maior – uma quebra do contrato civilizatório que deveria nos unir e guiar para um futuro melhor.
Na Europa, vejo a guerra da Rússia contra a Ucrânia devastando cidades e vidas. É a maior invasão terrestre no continente desde a Segunda Guerra Mundial, um conflito cruel que já custou centenas de milhares de vidas e espalhou sofrimento por toda parte. Cerca de 6,9 milhões de ucranianos vivem deslocados fora de seu país em consequência dessa guerra. Diante de tamanha tragédia, me pergunto como ainda insistimos em resolver nossas diferenças por meio da violência.
No Oriente Médio, a história se repete em outra escala de horror. O conflito entre israelenses e palestinos se intensificou tragicamente a partir de 2023, mergulhando a região em dor e luto. Mais de 62 mil palestinos e cerca de 1,1 mil israelenses perderam a vida desde então – números frios que escondem famílias destruídas e gerações traumatizadas. Cada notícia de bombardeio ou ataque terrorista me faz questionar se ainda resta humanidade em nossa forma de tratar o próximo.
Enquanto isso, na Ásia, vivo a angústia de um possível novo confronto. A China não esconde suas ambições sobre Taiwan, aumentando atividades militares ao redor da ilha e até simulando invasões em exercícios de guerra. O medo de um conflito paira sobre a região como uma nuvem sombria, pronta para desabar a qualquer momento. Sinto o peso dessa tensão global e temo pelo futuro se mais esse laço de paz se romper em violência.
Ao voltar o olhar para meu país, encontro outro tipo de batalha: a corrupção entranhada no poder. O Brasil atingiu em 2024 sua pior posição no índice internacional de percepção da corrupção – um reflexo de escândalos sucessivos e da impunidade que parece reinar. Recentemente vimos ministros caírem sob denúncias de propina e esquemas bilionários, como o escândalo do INSS que envolveu até um irmão do presidente. Sinto vergonha e indignação ao ver que, enquanto a nação sofre, nossos líderes brincam com a ética e fazem pouco caso da justiça.
Talvez o mais revoltante seja assistir à inversão de valores no sistema de justiça. Tenho a nítida impressão de que inocentes às vezes são tratados como criminosos, enquanto culpados notórios posam de vítimas impunemente. Como apontou um líder regional, o Judiciário brasileiro “persegue claramente” quem está à direita, e os condenados pelos esquemas do Mensalão e do Petrolão estão todos soltos. Vivemos num lugar onde cumprir as leis parece ingenuidade, e violá-las virou vantagem astuta.
No fundo, tudo isso me faz sentir que falta autoridade moral e liderança verdadeira nos tempos modernos. Pais têm medo de impor limites aos filhos, professores são desacatados em sala de aula, governantes dobram as leis em benefício próprio. Os valores estão de ponta-cabeça: honestidade e decência já não são celebradas, enquanto a esperteza e a força bruta ditam as regras do jogo. Eu, como observador perplexo, me pergunto diariamente por onde anda a humanidade – e se ainda seremos capazes de reencontrá-la em meio a tanto caos.